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Thyssenkrupp investe no potencial do setor de papel e celulose para produção de metanol verde

O mercado brasileiro está atento ao potencial do hidrogênio verde, uma fonte de energia sustentável que promete revolucionar diversos setores industriais. Nesse contexto, a Thyssenkrupp, por meio de sua divisão de desenvolvimento de plantas industriais, a Thyssenkrupp Uhde, destaca a indústria de papel e celulose como um setor chave para a produção de metanol verde, um combustível eco-friendly destinado ao transporte marítimo.

O potencial da indústria de papel e celulose

Com o Brasil sendo o segundo maior produtor global de celulose e o maior exportador, a indústria de papel e celulose representa uma fatia significativa da economia nacional. Em 2022, o setor alcançou uma receita bruta impressionante de R$ 260 bilhões, contribuindo com 1,3% do PIB brasileiro. Além disso, a participação do setor nas exportações nacionais foi de 4,3%, evidenciando sua importância para a balança comercial do país.

A Thyssenkrupp está direcionando seu foco para a indústria de papel e celulose devido ao seu potencial para capturar carbono biogênico e combiná-lo com hidrogênio verde para a produção de metanol. Luiz Antonio Mello, head de vendas da Thyssenkrupp Uhde para a América do Sul, enfatiza que o setor possui recursos financeiros substanciais, com receitas em dólar e geração de CO₂ biogênico.

Thyssenkrupp dialoga com grandes empresas do setor

A Thyssenkrupp já está em conversações com grandes players do setor, como Suzano e Klabin, para explorar oportunidades de colaboração e investimento. Mello observa que todas as grandes empresas do setor estão interessadas e considerando a integração do metanol verde em suas operações.

Além da indústria de papel e celulose, a indústria do etanol também é identificada como tendo um grande potencial para a produção de metanol verde. Com sua capacidade de gerar CO₂, o setor do etanol oferece oportunidades semelhantes de aproveitamento de resíduos para a produção sustentável de combustível.

Marco regulatório e demanda do mercado

Apesar do entusiasmo e dos investimentos anunciados, o avanço dos projetos de produção de hidrogênio verde no Brasil tem sido lento. Problemas internos afetaram o progresso de projetos avançados, como o da Unigel, que conta com a parceria da Thyssenkrupp.

Um dos principais desafios enfrentados pelos empreendedores é a ausência de um marco regulatório claro e a falta de um mercado definido para o hidrogênio verde. A aprovação do PL do Hidrogênio no Congresso é vista como um passo crucial para fornecer clareza regulatória e incentivar investimentos.

Thyssenkrupp enfrentando a competição chinesa

Além dos desafios locais, a Thyssenkrupp também está se preparando para competir com os fabricantes chineses no mercado global de eletrolisadores. Luiz Antonio Mello, da Thyssenkrupp Nucera, destaca a qualidade dos produtos da empresa e seu compromisso em reduzir os custos ao longo do tempo, tornando-os mais competitivos em relação aos concorrentes chineses.

A Thyssenkrupp Nucera está aumentando sua capacidade de fabricação de eletrolisadores, visando atender à crescente demanda global por hidrogênio verde. Com planos ambiciosos, a empresa pretende elevar sua capacidade de produção para 5 GW, enquanto busca constantemente reduzir os custos de produção.

Participação em grandes projetos globais

A empresa está envolvida em alguns dos maiores projetos de hidrogênio verde em todo o mundo, o que destaca seu papel como líder global no setor. Projetos como a planta de eletrólise de 2 GW para a Air Products na Arábia Saudita e a planta de hidrogênio de 200 MW da Shell no Porto de Roterdã demonstram a experiência e a capacidade da Thyssenkrupp Nucera em fornecer soluções de alto desempenho para seus clientes.

Embora a produção de eletrolisadores da Thyssenkrupp Nucera esteja concentrada na Europa, a empresa está de olho no desenvolvimento do mercado de hidrogênio verde na América do Sul. Com o Brasil emergindo como um hub potencial para a região, a Thyssenkrupp não descarta a possibilidade de estabelecer uma operação de fabricação de eletrolisadores no país. No entanto, isso dependerá da demanda local e da concretização de projetos na região.

Marcelo Santos

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