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Projeto de Enriquecimento de Urânio: Parceria entre AMAZUL e INB busca autossuficiência nacional

Primeira reunião presencial marca progresso no projeto da usina de enriquecimento de urânio em Resende, RJ.

by Marcelo Santos
Projeto de Enriquecimento de Urânio Parceria entre AMAZUL e INB Busca Autossuficiência Nacional

A parceria entre a Amazônia Azul (AMAZUL) e as Indústrias Nucleares do Brasil (INB) está marcando um avanço significativo no setor de energia nuclear do país. O projeto da Usina Comercial de Enriquecimento de Urânio (UCEU), localizada em Resende (RJ), atingiu novos marcos com a primeira reunião presencial entre as equipes das duas instituições nos dias 22 e 23 de agosto.

AMAZUL e INB avançam na Parceria

A sinergia entre a AMAZUL e a INB foi mais uma vez evidenciada durante a primeira reunião presencial ocorrida em agosto. Na ocasião, 11 profissionais de diversas áreas, incluindo engenharia, física, arquitetura e garantia da qualidade, juntamente com Maria Cristina Ibelli, gerente técnica da AMAZUL, Flavio Soares Pereira, coordenador do projeto da UCEU, e Fábio Ferretti, assessor do Sistema de Garantia da Qualidade, reuniram-se para discutir temas técnicos e o estabelecimento de um Sistema de Garantia da Qualidade específico para o projeto.

Enriquecimento de urânio

O processo de enriquecimento de urânio desempenha um papel fundamental na produção de energia nuclear. O urânio, em sua forma natural, não é adequado para ser utilizado como combustível em reatores nucleares. O enriquecimento é o processo pelo qual o urânio é submetido a etapas específicas para aumentar a proporção do isótopo físsil U-235, tornando-o apto para a fissão nuclear controlada.

Através da parceria entre a AMAZUL e a INB, o Brasil dá um passo crucial em direção à autossuficiência energética. A Usina Comercial de Enriquecimento de Urânio, que está sendo implantada em duas fases, fornecerá combustível nuclear para as usinas de Angra 1, 2 e 3. Com a segunda fase do projeto, que prevê a instalação de 30 cascatas de ultracentrífugas, o país aspira a atender completamente sua demanda interna de combustível nuclear até 2037.

Primeira fase concluída: Redução da dependência externa

A primeira fase do projeto, concluída no final de 2022, já está contribuindo para a redução da dependência externa do Brasil em relação ao enriquecimento de urânio. Com dez cascatas de ultracentrífugas em operação, a INB conseguiu atender a 70% das recargas anuais de Angra 1. Isso representa um marco significativo na capacidade de produção nacional de combustível nuclear, diminuindo a necessidade de importações para a produção de energia nuclear.

Além das discussões técnicas, a equipe da AMAZUL teve a oportunidade de explorar as instalações da Fábrica de Combustível Nuclear (FCN) durante a reunião. A FCN desempenha um papel central na transformação do urânio enriquecido em combustível nuclear, que é posteriormente enviado para as usinas de Angra. Essa etapa é essencial para a geração segura de energia a partir da fissão nuclear controlada.

Autossuficiência em enriquecimento de urânio

Com a segunda fase de implantação do projeto da UCEU, a INB está no caminho para alcançar a autossuficiência em enriquecimento de urânio. A instalação de mais 30 cascatas de ultracentrífugas permitirá que o Brasil produza todo o combustível nuclear necessário para as usinas de Angra 1, 2 e 3. A previsão otimista é que, até 2033, a capacidade de produção totalmente nacional seja uma realidade, atendendo a demanda interna de energia nuclear de maneira independente.

Papel da AMAZUL

A parceria entre a AMAZUL e a INB é um exemplo de cooperação estratégica que fortalece a infraestrutura de energia nuclear do Brasil. A entrega do projeto básico da UCEU até maio de 2025, conforme previsto no contrato, será mais um passo rumo à consolidação da capacidade nacional de enriquecimento de urânio. Com o envolvimento de profissionais qualificados em diversas áreas, essa parceria está desempenhando um papel crucial na construção de um setor de energia nuclear robusto e autossuficiente.

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