Minúsculas espécies de algas marinhas produzem carbonato de cálcio (calcário) que pode ser utilizado na indústria da construção civil. O novo cimento não apenas evita o lançamento de gases poluentes na atmosfera como também os captura, ajudando a amenizar um dos maiores fenômenos que pode causar muitos problemas no planeta, o aquecimento global.
Pesquisadores universitários encontram uma solução para diminuir as altas emissões de poluentes que provocam o aquecimento global
Com a intensificação da industrialização em todo o mundo, a necessidade de produzir materiais em grande escala foi cada vez mais exigida, um exemplo de material muito utilizado é o cimento.
A produção global de cimento, que é o principal produto usado na construção civil, é responsável por 7% das emissões anuais de gases de efeito estufa, em grande parte devido à queima de calcário.
Agora, uma equipe de pesquisa liderada pela Universidade da Califórnia, em Boulder, nos Estados Unidos, descobriu uma maneira de tornar essa indústria neutra — e até mesmo negativa — em carbono, ou seja, produzir o cimento sem carbono. O segredo é retirar o dióxido de carbono (CO₂) do ar com a ajuda de microalgas.
E o que seria esse aquecimento global?
O fenômeno natural do efeito estufa está intimamente relacionado às mudanças climáticas que ocorrem na Terra. Embora o efeito estufa esteja relacionado ao aquecimento global, é um processo que garante que a Terra mantenha uma temperatura adequada à vida. Sem ela, a Terra seria tão fria que muitas formas de vida não existiriam.
O problema é o aumento das emissões de gases poluentes, os chamados gases de efeito estufa. Eles se acumulam na atmosfera e, como resultado, retêm mais calor da Terra.
Então, como acontece o aquecimento global?
O aumento da concentrações de gases de efeito estufa leva a mudanças na troca de calor, grande parte do qual permanece na atmosfera. Como resultado, a temperatura aumenta, levando ao aquecimento global.
Os gases de efeito estufa são:
- Monóxido de Carbono (CO);
- Dióxido de Carbono (CO₂);
- Clorofluorcarbonos (CFC);
- Óxido de Nitrogênio (NO);
- Dióxido de Enxofre (SO₂);
- Metano (CH₄);
Pesquisadores brasileiros da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) também trabalham no desenvolvimento de uma espécie de cimento ecoeficiente
A nova descoberta da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) pode auxiliar a indústria cimenteira a atingir dois objetivos: dobrar a produção de cimento para atender a demanda mundial e diminuir a pegada de carbono, uma vez que o setor é um dos que mais emitem dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera.
A ideia principal é a redução de custos em um dos insumos mais utilizados nas obras da construção civil e reduzir a pegada de carbono enquanto desenvolve um novo empreendimento.
“Em alguns experimentos em laboratório conseguimos reduzir em mais de 70% a quantidade de ligante [fração do cimento com capacidade de reagir com água] em concretos de alta resistência com um produto feito com a formulação”, disse Vanderley Moacyr John, professor do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da USP e um dos coordenadores do projeto.
Sobre as microalgas
As microalgas, ou algas unicelulares, são microrganismos encontrados em corpos d’água de todo o mundo; também podem estar presentes nas folhas ou caules das plantas e, além de serem capazes de se formar, também podem coexistir com fungos, líquens.
São os principais membros do fitoplâncton e podem ser encontrados sozinhos ou em colônias capazes de atingir grandes tamanhos. Acredita-se que esse grupo de organismos seja fundamental para sustentar a vida na Terra porque eles, juntamente com as macrófitas aquáticas, estão envolvidos na produção da maior parte do O₂ na atmosfera.
A simplicidade dessas estruturas biológicas permite um rápido crescimento, o que despertou o interesse em aplicações biotecnológicas. Possui uma baixa exigência de nutrientes e cresce bem rapidamente em condições de luz, permitindo a sua produção em biorreatores abertos e utilizando água do ambiente natural e agentes antimicrobianos que promovem o crescimento e desenvolvimento de algas para uma produção economicamente competitiva.