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Mato Grosso do Sul tem 36 localidades que correm risco de entrar na “rota do fracking”

Sendo proibida em diversos países, a rota do fracking poderá atingir a região de Mato Grosso do Sul, causando inúmeros impactos ao meio ambiente e à saúde pública.

by Marcelo Santos
Mato Grosso do Sul tem 36 localidades que correm risco de entrar na “rota do fracking”

Faltando pouco para o término da gestão do atual Governo Federal, foi liberado um edital que concede “carta-branca” à prática do fracking, que nada mais é do que o fraturamento hidráulico.

O fraturamento hidráulico é um método que possibilita a extração de combustíveis, sejam líquidos ou gasosos, do subsolo. Este método está sendo banido em diversos países e, apesar da carta-branca dada pelo Governo Federal, essa prática está bem perto de ser proibida no Brasil.

Fracking é liberado pelo Governo Federal do Brasil

O anúncio da liberação dessa prática foi dado no dia 7 de dezembro, no qual o Governo publicou o edital para qualificação de projetos do chamado “Poço Transparente”, responsável por contemplar e liberar o fraturamento hidráulico.

A plataforma “Não Fracking Brasil”, criada para monitorar áreas com possível risco de sofrerem exploração, relatou que a região do Mato Grosso do Sul possui pelo menos 36 áreas que foram leiloadas pela ANP (Agência Nacional do Petróleo).

Parte dessas localidades permeiam a Bacia do Paraná, que compreende Rio Verde, Bandeirantes, Figueirão, Camapuã, Bonito, Paraíso das Águas, Ivinhema, Angélica, Batayporã e Brasilândia. Todas essas localidades correm um sério risco de entrarem na rota do fracking.

Prática do Fracking é proibida em diversos países

Grandes países como a Alemanha, a França e o Reino Unido há tempos baniram a prática do fraturamento hidráulico, tendo em vista que diversas pesquisas já revelaram que o fracking pode causar diversos danos à saúde humana, sem contar o alto impacto no meio ambiente.

Na prática do faturamento hidráulico ou fracking, são instaladas algumas tubulações em perfurações do solo, para ser injetada uma enorme quantidade de água associada a diversos solventes químicos comprimidos, que geralmente contém propriedades cancerígenas.

A prática do fracking pode atingir mais de 3,2 mil metros de profundidade, além do fato de que a pressão da água com componentes químicos acaba causando explosões que fragmentam a rocha.

Desse modo, os praticantes dessa técnica conseguem extrair o gás de xisto ou folhelho, expandindo a possibilidade de explorar os reservatórios considerados impossíveis de serem atingidos com técnicas mais seguras.

Riscos à saúde pública e ao meio ambiente

A prática pode causar um grave impacto ao meio ambiente, como altas emissões de gases de efeito estufa, tanto ao longo do processo de exploração, quanto nas operações que movimentam a rota do fracking, segundo informações dadas pela Agência Pública.

A plataforma “Não Fracking Brasil” divulgou um estudo que aponta que mais de 90% dos fluidos residuais da prática ainda ficam por um longo período retidos no subsolo.

Além da contaminação do subsolo, todo o sistema da natureza é agredido, como o ar, o solo e os lençóis de água subterrânea. Cada poço de fracking consome de 7,8 até 15,1 milhões de litros de água, transportadas em caminhões.

O fraturamento hidráulico também é responsável pela formação de “mini terremotos”, provocados pelas injeções de água com compostos químicos, causando tremores terrenos de até 5,7 (Mw) na escala Richter.

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