A aviação é um dos setores mais complexos e desafiadores quando se trata de reduzir a pegada de carbono. A indústria depende fortemente de combustíveis fósseis, o que resulta em elevadas emissões de gases de efeito estufa, contribuindo significativamente para as mudanças climáticas. Com o aumento da pressão global para encontrar soluções mais sustentáveis, o hidrogênio está ganhando destaque como um combustível alternativo promissor para a aviação.
Nova aposta para o futuro da aviação com o hidrogênio
O querosene, tradicionalmente utilizado na aviação, é um combustível fóssil altamente poluente. As aeronaves que operam com querosene emitem grandes quantidades de dióxido de carbono (CO2), um dos principais responsáveis pelo aquecimento global.
Com o compromisso internacional de reduzir as emissões, a indústria aeronáutica precisa urgentemente de alternativas viáveis para sustentar a aviação de longa distância sem comprometer o meio ambiente. Neste contexto, o hidrogênio surge como uma alternativa com grande potencial. Diferente das baterias elétricas, que são pesadas e limitam a capacidade de carga das aeronaves, o hidrogênio possui uma densidade energética superior.
Isso significa que ele pode fornecer a mesma quantidade de energia que os combustíveis fósseis, mas com uma carga menor de peso. Além disso, quando utilizado em células de combustível, o hidrogênio produz eletricidade com emissão zero de CO2, gerando apenas vapor d’água como subproduto.
Projeto Climate Impulse promete revolucionar aviação
Um dos projetos mais ambiciosos atualmente em desenvolvimento é o Climate Impulse, liderado pelo explorador suíço Bertrand Piccard. Piccard é conhecido por seu papel no Solar Impulse, o primeiro avião movido a energia solar a dar a volta ao mundo. Agora, ele está focado em um novo desafio: desenvolver a primeira aeronave movida a hidrogênio capaz de circunavegar o globo sem escalas.
A equipe do Climate Impulse está sediada em Les Sables-d’Olonne, na França, onde trabalham incansavelmente para realizar este feito histórico. O objetivo é lançar a aeronave em 2028, com testes de voo previstos para começar em 2026. Se bem-sucedido, este projeto não apenas demonstrará a viabilidade do hidrogênio como combustível, mas também marcará um novo capítulo na história da aviação sustentável.
A tecnologia por trás da inovação do hidrogênio na aviação
A aeronave do Climate Impulse será projetada para utilizar hidrogênio líquido. Este combustível precisa ser mantido em temperaturas extremamente baixas, próximas ao zero absoluto, para permanecer em estado líquido. Esse requisito apresenta desafios significativos para os engenheiros, especialmente na construção de tanques de armazenamento capazes de manter o hidrogênio líquido durante longos períodos de voo.
O hidrogênio oferece várias vantagens em comparação com outros combustíveis sustentáveis. Uma das principais é a sua capacidade de gerar eletricidade em células de combustível com emissão zero de carbono. Além disso, por ser mais leve do que as baterias elétricas, ele permite que a aeronave transporte mais carga e voe por distâncias maiores.
Desafios na implementação do hidrogênio e avanços na indústria da aviação
Apesar do potencial do hidrogênio, sua adoção na aviação enfrenta desafios significativos. A transição para aeronaves movidas a hidrogênio exige uma reestruturação completa da infraestrutura aeroportuária. Isso inclui a construção de estações de abastecimento de hidrogênio e o desenvolvimento de novas tecnologias para produção, armazenamento e transporte seguro desse combustível.
Além disso, o custo de produção do hidrogênio ainda é elevado, o que pode dificultar sua adoção em larga escala. A produção de hidrogênio de forma sustentável, sem emissão de CO₂, requer a utilização de fontes renováveis de energia, como a eólica e a solar, o que aumenta ainda mais o custo do processo. Apesar dos desafios, a indústria aeronáutica está avançando rapidamente em direção à adoção do hidrogênio.
Diversos fabricantes de aeronaves e companhias aéreas já estão investindo em pesquisas e desenvolvimento de protótipos. Esses investimentos são impulsionados pela necessidade de encontrar soluções que permitam à aviação continuar crescendo, sem aumentar sua contribuição para as mudanças climáticas.