Home ENERGIA Entenda como o aumento do preço do gás natural e guerra entre Rússia X Ucrânia interferiu nas emissões de CO2 em 2022

Entenda como o aumento do preço do gás natural e guerra entre Rússia X Ucrânia interferiu nas emissões de CO2 em 2022

by Daiane
Entenda como o aumento do preço do gás natural interferiu nas emissões de CO2 e a forma como a energia renovável ajudou a controlar os índices

A pesquisa da Agência Internacional de Energia evidenciou que as emissões globais de dióxido de carbono continuam em ascensão, embora com um patamar menor. As emissões de CO2 aumentaram menos de 1% em 2022, apesar das perturbações nos mercados energéticos causadas pela invasão russa na Ucrânia. É importante notar que esse aumento é menor do que o aumento de 6% registrado pela IEA em 2021, um salto que se seguiu à recuperação pós-pandemia de Covid-19.

Apesar disso, para atender à meta de reduzir pela metade as emissões nesta década, é preciso reduzir as emissões em 7% a cada ano, o preço do gás natural também interfere na meta. Consequentemente, muitos especialistas estavam preocupados de que o aumento do preço do gás pudesse levar os países a voltar a usar o carvão, que emite mais carbono. No entanto, tecnologias de energia renovável, como a solar e eólica, além de bombas de calor e veículos elétricos, foram incentivadas pelos países, e se tornaram grandes beneficiárias para alcançar metas. Além disso, um inverno ameno na Europa contribuiu para economizar energia em toda a União Europeia.

Mesmo um leve aumento nas emissões de gases de efeito estufa pode desviar o mundo significativamente do caminho para atingir a neutralidade de carbono, a meta necessária para limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Para cumprir essa meta, os cientistas alertam que as emissões precisam cair quase pela metade nesta década.

O diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (IEA), Fatih Birol, afirmou que o notável crescimento das energias renováveis, veículos elétricos, bombas de calor e tecnologias de eficiência energética foi responsável por evitar um grande aumento nas emissões globais de CO2 durante a crise energética, quando o gás subiu. No entanto, as emissões crescentes de combustíveis fósseis ainda são um grande obstáculo para atingir as metas climáticas globais.

A IEA destaca que as empresas internacionais e nacionais de combustíveis fósseis estão obtendo receitas recordes e precisam assumir sua parcela de responsabilidade, de acordo com suas promessas públicas de cumprir as metas climáticas. Essas conclusões serão discutidas na próxima cúpula climática da ONU, a Cop28 em Dubai, onde, pela primeira, vez os países serão obrigados a compilar um “balanço global” sob o acordo de Paris de 2015.

Isso deixará claro que o mundo ainda está longe de atingir a meta acordada em Paris de manter o aumento da temperatura “bem abaixo de 2°C”, enquanto “prossegue esforços” para mantê-lo abaixo de 1,5°C.

Desde que o acordo de Paris foi assinado, a ciência do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas mostrou mais claramente os perigos de exceder um aumento de 1,5°C, o que poderia desencadear uma cascata de impactos catastróficos, incluindo o derretimento do gelo do Ártico, a secagem das florestas tropicais e a liberação de metano. O relatório final da última rodada de pesquisa do IPCC será publicado no final deste mês e deve mostrar que o mundo está prestes a ultrapassar a meta de 1,5°C, a menos que esforços muito maiores sejam feitos para reduzir as emissões.

Mais sobre a importância de energias renováveis: Como o aumento do gás natural impacta no consumo de carvão e nas metas climáticas?

O aumento do preço do gás natural leva as empresas a optarem pelo uso do carvão, sendo uma fonte de energia mais barata. Essa mudança resulta em um aumento das emissões de gases de efeito estufa, uma vez que o carvão é uma fonte de energia fóssil mais poluente que o gás natural.

Além disso, o carvão também gera outros poluentes atmosféricos, como dióxido de enxofre e óxidos de nitrogênio, causadores de problemas de saúde pública e danos ao meio ambiente, incluindo a acidificação dos solos e corpos d’água. Outro impacto negativo da mudança para o carvão é a degradação das paisagens naturais, uma vez que muitas minas de carvão são a céu aberto, causando uma grande destruição de habitats naturais.

Além disso, a extração do carvão é uma atividade extremamente intensiva em termos de recursos naturais e de energia, o que pode levar a problemas como a degradação do solo e o uso excessivo de água em regiões com escassez de recursos hídricos.

Por todas essas razões, é importante que as empresas optem por fontes de energia mais limpas e renováveis, como a energia solar, eólica e hidrelétrica. A transição para uma economia mais sustentável é fundamental para a redução das emissões de gases de efeito estufa e para a proteção do meio ambiente.

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